Inglaterra (VIII)

No século VIII quando ocorreram as primeiras incursões vikings que se tem conhecimento, a Inglaterra ainda não era um reino unificado, mas dividida em sete reinos anglo-saxões: Nortúmbria, Mércia, Essex, Wessex, Ânglia Oriental, Kent e Sussex, os quais lutavam ou negociavam entre si para manter suas fronteiras, embora que eventualmente estivessem em conflito. Desses sete reinos, os mais prósperos eram a Nortúmbria no Norte, a Mércia no centro e Wessex no sul. Mas apesar dessa divisão, todos os reinos falavam o mesmo idioma, eram cristianizados e tinham os mesmos costumes.

A Crônica Anglo-Saxã (Anglo-Saxon Chronicle), termo usado para se referir a nove manuscritos redigidos entre os séculos IX e XII, consiste em relato escrito que data da época da presença escandinava na Inglaterra. Nesses manuscritos redigidos em forma de anais, informa que no ano de 787, na época que o rei Bertric de Wessex enviou sua filha para casamento, chegaram à ilha, três navios dos “homens do Norte” (nordmann), os quais vinham da “terra dos ladrões”. Os historiadores interpretam tal menção como talvez sendo uma referência aos vikings e seus atos de pirataria.

Por volta de 789, a cidade portuária de Portland, em Wessex, foi atacada por piratas, supostamente vindos do Norte. No ano de 792, o rei Offa da Mércia, ordenou que as defesas na costa fossem reforçadas devido às notícias de que criminosos estrangeiros foram avistados na região.

No entanto, o relato sobre vikings mais conhecido contido nessa crônica, referente ao século VIII, data do ano de 793. Na descrição menciona-se que o famoso mosteiro da ilha de Lindisfarne, na costa da Nortúmbria, foi invadido por saqueadores vindos do mar, os quais mataram, pilharam e destruíram o local.

“793: neste ano apareceram presságios terríveis na Nortúmbria, que assustaram muito as pessoas. Consistiam em imensos torvelinhos e relâmpagos, e viam-se dragões chamejantes voando pelo ar. Aqueles sinais foram imediatamente seguidos por uma época de grande fome, e pouco depois, em 8 de junho do mesmo ano, os homens pagãos destruíram a igreja de Deus em Lindisfarne, saqueando e matando”. (Crônica Anglo-Saxã, tradução nossa).

O mosteiro foi fundado por São Cuteberto (c. 643-687), se tornando famoso por ser uma referência a evangelização do norte da Inglaterra, além de ter hábeis ilustradores de manuscritos e experientes monges copistas. Sua destruição impactou o reino, tornando-se um marco para os historiadores britânicos escolherem o ano de 793 como o início da Era Viking.

Todavia, o século IX foi marcado por várias investidas dos vikings a diferentes reinos anglo-saxões. Nesse período os ataques se tornaram mais ousados, não se limitando apenas a costa e mosteiros, mas navios adentravam pelos rios indo atacar fazendas, vilas e cidades. Os ataques vikings ficaram tão recorrentes que em alguns lugares eles passaram a cobrar o danegeld (taxa danesa), um tributo de extorsão, pago em ouro, prata e outros bens, para que determinada localidade não fosse saqueada.

Tais ataques e a cobrança do danegeld se estenderam por décadas. Somente após 850 é que se teve início as tentativas de controle de territórios, com a criação de acampamentos de inverno e captura de fazendas e vilas. Isso tudo culminou com a invasão naval ocorrida em 865, chamada de Grande Exército Pagão (mycel heathen here), o qual se desconhece a quantidade de guerreiros e navios envolvidos, mas eles invadiram a Ânglia Oriental dando início a uma série de conquistas que se estenderam por doze anos, findando-se em 878, resultando na conquista de cinco reinos anglo-saxões. Mércia e Wessex resistiram a conquista.

Imagem: Vikings invadindo a Inglaterra. Ilustração do manuscrito MS M.736 fol. 9v, sobre a Vida de Santo Edmundo, c. 1130. Fonte: Morgan Library & Museum. Licença: CC0 1.0.

A invasão do “grande exército” foi tão marcante que gerou lendas, sendo a mais famosa a que associa seu motivo como tendo sido um ato de vingança executado pelos filhos do lendário rei Ragnar Lothbrok, no intuito de vingar a morte do pai, executado pelo rei Aella II da Nortúmbria, num poço com cobras.

O resultado de doze anos de guerras levou a criação do chamado território do Danelaw ou Danelag, governado por dinamarqueses e noruegueses por mais de cem anos, ocupando mais da metade da Inglaterra, tendo o Reino de Jorvik (ou Reino de York), como o mais famoso estado oriundo dessa ocupação e colonização nórdica da Inglaterra.

Imagem: Mapa do Danelaw em 892, mostrando a divisão territorial entre nórdicos e anglo-saxões e as rotas de campanhas militares. Autor: S. Bollmann (2008). Licença: CC BY-SA 1.0.

Imagem: Mapa das rotas e batalhas da invasão do Grande Exército Pagão (865-878). Autor: Rowanwindwhistler. Licença: CC BY-SA 4.0.

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