O Clima da Grande Guerra chega à Cabedelo

Em setembro de 1915, um fato no mínimo inusitado: marujos ingleses do vapor Professor, que se encontrava no mesmo cais, encontraram-se com marujos dos navios alemães no bar do Hotel dos Viajantes nesta vila. Lembrem-se que as duas nações estavam em guerra naquele momento. Ao adentrarem o recinto, a princípio, ocorreu diálogo amistoso entre as partes. Porém, na medida em que dialogavam sobre a guerra e ficavam mais exaltados sob efeito das bebidas alcoólicas, consta que os alemães e britânicos por pouco, não “transformaram Cabedello em Neuve-Chapelle” [1]. O confronto fora contornado segundo o relato, por intervenção do tenente Eduardo, delegado da polícia local, que recolheu os exaltados aos seus respectivos navios.

 

Da mesma forma que encontravam consolo na bebida durante a internação, os alemães acabaram por recorrer também à prostituição. Em um relato policial, três oficiais do Minneburg foram presos pela polícia, ao tentar adentrar o prostíbulo em que se encontrava Joanna de tal, residente na rua do Arame à alta hora da noite [2]. A arruaça teria sido perpetrada por Ferdinand Schneider, piloto daquele navio.

Foi neste mesmo estabelecimento, que na páscoa de 1916, os tripulantes alemães celebraram, “cantando acaloradamente”, e sob grande efeito de álcool, situação que lamentavelmente, terminou em confronto entre tripulantes do Minneburg e do Salamanca. Em total contraste com as farras e a bebedeira desenfreada dos matrosen, os oficiais comandantes dos navios vivenciavam ocasiões e espaços de sociabilidade diferentes, um reflexo da hierarquia social existente a bordo.

[1] O NORTE, 1915, ed. 2098, p. 2. Refere-se a “Neuve-Chapelle”, uma batalha ocorrida no front Ocidental entre alemães e franceses no mês de março de 1915.

[2] O NORTE, 1915, ed. 2179 – p. 2.

Oficiais não se misturavam com a “marujada”, mesmo na Marinha Mercante. Em janeiro de 1916, durante um ball-masquè [3] organizado por veranistas da praia de Formosa em Cabedelo, estavam presentes diversas pessoas influentes da capital, Parahyba do Norte. No pavilhão da praia de Ponta de Mato [4], as elites moradoras da capital passavam os carnavais veraneando para “fugirem” dos afazeres usuais. Dentre os convidados daquele baile carnavalesco praiano, encontravam-se oficiais do navio alemão Persia: o seu comandante, Hans Habelmann, sua senhora e outros oficiais do mesmo navio[5]. Percebe-se aqui o contraste entre as duas realidades e os privilégios.

[3] Baile de máscaras, festa a fantasia carnavalesca.

[4] Duas praias localizadas no lado Leste de Cabedelo. Neste local, famílias das elites da capital paraibana possuíam casarões onde veraneavam em certas datas do ano, em especial no Carnaval.

[5] O NORTE, 18 de janeiro de 1916, ed. 2201, p. 1.

A navegação mercante em tempos de guerra

Seção V

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