De internos forçados a prisioneiros de guerra

O ano de 1917 foi marcado por grandes mudanças no decurso da I Guerra Mundial. As ações dos U-Boats (submarinos alemães) que a partir daquele ano, indiscriminadamente, passaram a atacar quaisquer navios mercantes de nações neutras que comercializassem com a Inglaterra ou com a França, atingiram em cheio o Brasil.

 

Ataques a navios brasileiros realizados por U-Boats na costa ocidental Europeia e no Mediterrâneo, levaram ao rompimento das relações diplomáticas com a Alemanha no dia 11 de abril de 1917. Em 2 de junho, o governo brasileiro através do decreto 12.501, ordenava a apreensão de todos os navios mercantes alemães que, desde 1914, estavam internados em portos brasileiros (DAROZ, 2018, p. 95). Somente no dia 25 de outubro daquele mesmo ano, o Brasil declarou guerra à Alemanha.

O decreto que apreendia os navios alemães chegou ao conhecimento das autoridades políticas e militares na Paraíba e a imprensa agora debatia sobre qual seriam os procedimentos feitos e os destinos dos tripulantes alemães presos no porto de Cabedelo. No dia 5 de junho, as notícias sobre a apreensão e ocupação dos navios já tomavam as manchetes na capital federal. No dia 5 estiveram a bordo dos navios alemães o capitão do porto, comandante Cyro Câmara da Marinha do Brasil e o agente do Lloyd Brasileiro, coronel Albino Moreira.

Segundo consta, o ato de posse dos navios realizou-se ao meio dia, começando pelo vapor Persia onde houve a substituição do pavilhão teuto pelo brasileiro, seguindo-se do Minneburg e do Salamanca. Seguindo o relato do jornal paraibano, consta que as tripulações dos dois primeiros navios alemães citados receberam as notícias e as ordens sob “grande indiferença”. No entanto, em relação ao Salamanca, a situação foi diferente. Naquele navio, a cerimônia.

“...revestiu-se de magna solenidade, formando na pôpa, além da força de polícia toda a tripulação, facto que se verificou por ser o commandante desse ultimo vapor, oficial da marinha tedesca. Antes da troca de bandeiras, o commandante, em idioma allemão, proferiu uma allocução aos seus compatriotas, finalizando-se com viva ao kaiser Wilhlelm...” (O NORTE, 5 de junho de 1917, ed. 2606, p. 2).

A “aventura” alemã em terras paraibanas, havia chegado ao fim. Quanto ao destino da maior parte das tripulações daqueles navios alemães, pouco se sabe. Mas é certo que muitos permaneceram no Brasil, preferindo adotar esta terra como uma nova pátria, em contraste com a sua, destruída pela guerra. 

A navegação mercante em tempos de guerra

Seção V

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